TROISGROS em ROANNE 3 estrelas Michelin por 45 ANOS

Há um bom tempo, almoçando com Ana Paula e Cristina, não sei qual das duas, acho que a Ana, me disse:

– Tenho sentido saudade de um post seu. Daqueles longos, onde você coloca a alma!

Respondi o que vem me deixando um pouco chateada:

– Tenho me sentindo bloqueada, tolhida, não consigo dar andamento no post da Maison Troisgros. Trabalho nele há um bom tempo, mas… Me sinto pequena para pronunciar sobre alguém que é sumidade no assunto e sobre qualquer coisa de mágico que lá acontece, que não existe em nenhum outro lugar.

Logo que cheguei em casa, leio essa mensagem da Ana Paula:

– Dispa-se dessa humildade boba e encara o post do chef chic!!!! Tô esperando! Coloca o coração no papel!

Hoje voltei neste, que é o único post que conseguiu me inibir. Ok! Depois de todo esse tempo, vamos enfrentar a fera! Rsrrsssss

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Un Jour en Novembre com Saveurs Troisgois

 A aparente simplicidade de um preparo é o fruto de um longo processo 

O ritual começa! Ainda no bar, acompanhando uns drinks e só para abrir o apetite (como se precisasse), vêm dois Gougères (ou Pain au maïs) em formato de brioche.

Pain au maïs

Pain au maïs

Deve ser para começar a nos confundir no menu chamado Un Jour en Novembre. Poderia ser qualquer outro dia, mas esse “um dia em novembro” ficará na memória!

Menu Un Jour en Novembre

Menu
Un Jour en Novembre

 

Une Mémoire

Mudar em nome da tradição

Já à mesa, trazem “carvões de trufas negras”, que, na verdade, são croquetes envoltos em pó de trufas. Ao seu lado, algo parecido com uma trouxinha de massa philo com sardinha defumada. E no curso, um triângulo de melancia temperada com um toque de mostarda, pimenta e vinagre vem sobre uma grossa tuile de parmesão. O tom do que está por vir já é definido por esse trio.

Amuse bouche

Amuse bouche

 

Une Innovation

A novidade instiga e provoca

Mas como se não bastasse e talvez ainda mais formidável, vem um tomate cereja caramelizado, sobre uma cama de gelo. O tomate é marinado em calda com coentro, anis estrelado e cravo. Depois, é mergulhado em massa de beignets (massa leve tipo tempura), frito, e finalmente coberto com caramelo misturado com gergelim. Uma vez que o caramelo é quebrado dentro da boca, o tomate explode, liberando todos aqueles surpreendentes sabores. Ainda que sutil, o contraste doce e ácido é muito bacana! Só lembrando que tudo isso é apenas amuse bouche. E o melhor: Luiz não come tomate, tive de fazer o sacrifício de comer os dois… kkkkkkkkkkkk

Tomate caramelizado

Tomate caramelizado

 

Une Répétition

Reproduzir o que é bom para aprimorar

Estes brioches ou esses Gougères ou esses Pain au maïs, sei lá o que são… voltaram, agora numa cesta linda de palha com forro telado, para confirmar: o que é bom, repete!

Pão deslumbrante, diz que é de maizena

Pão deslumbrante, diz que é de maizena

 

Une Surprise

Os ingredientes devem ter um significado, devem ser cúmplices

Acho que aqui a coisa começa a ficar séria. Estou em frente ao frescor! Provo uma agradável textura: macia e crocante que espalha leve fragrância de laranja. O que vem a ser isso? Gelatina! Gelatina? Sim, gelatina! Algo inusitado sobre o ingrediente comum: leveza bem dosada com inteligência. Lembra que já disse em outro post que agora gelatina é moda? Mas não pense você que é só fazer uma gelatina e pronto. Eu não vou me atrever! (disse isso logo que voltei, mas já me atrevi duas vezes rsrsrssss) Couteau é um tipo de crustáceo e tem esse nome por ter formato parecido com o cabo de uma faca. Eu já tinha provado em Paris e não tinha gostado, mas aqui… O sabor é outro! Começando pela crocância da endívia, passando pela doçura da gelatina combinada com o frescor muito sutil do coentro que contrabalançou com o gosto (que não gosto) marinho e iodado do crustáceo. E terminando pela forma minimalista da apresentação. Foi um abraço entre a terra e o mar. Adorei!

Couteau à la mandarine et à la coriandre

Couteau à la mandarine et à la coriandre

 

Un Plaisir Gustatif

A partir do distinto as formas cintilam

Ostras com nozes, uvas moscatel e molhinho feito com um vinho branco doce chamado Ranfio Vin doux. Bem… outra coisa que não admiro muito é ostra. Já pude comprovar que é um ingrediente que deve ser degustado só na beirada do mar, mas aqui… Rsrrssss De novo o leve gosto marinho com as nozes (gente, combinação perfeita), o doce da uva com o molho…

Noix d’Huîtres, Noix, nage au Ranfio

Noix d’Huîtres, Noix, nage au Ranfio

 

Une Explosion de la Truffe

Vibração entre sabores

Plis quer dizer ravioli. Esses foram recheados com abóbora, e por cima foram laminadas lascas de trufas brancas que só se encontram em Alba (as mais poderosas). Vieram sobre um molho de manteiga. Extremamente bom! Uma explosão da trufa no paladar que pecou 100% na apresentação, uma pena!

Plis de potimarron à la truffe blanche d’Alba

Plis de potimarron à la truffe blanche d’Alba

 

Une Cusine Impeccable

Compartilhar emoções e trabalho

Este não é um prato para ficar na memória, apesar de enxergar nele, uma cozinha impecável. Pequenos filetes de peixe em forma de mini rocamboles, com cogumelos e alho-poró. Bem, estou lamentando, mas em um nível muito alto. Se fosse em outro restaurante, talvez esse preparo fosse um “manjar”.

Saint-Pierre et cèpe à la fleurette

Saint-Pierre et cèpe à la fleurette

 

Une Gentillesse

Gastronomia associada a simpatia e harmonia 

Como meu marido é vegetariano, alguns pratos foram trocados. Uma gentileza do chef! Não consigo lembrar exatamente, mas era uma massa feita de alcachofra e recheada com uma pasta também de alcachofra.

Massa recheada com alcachofra

Massa recheada com alcachofra

 

Un Voyage Au Paradis

Preconceito à mesa X Surpresas

No próximo prato vieram duas imensas vieiras com uma espécie de tuille. As vieiras eram da mais alta qualidade, e me lembrei que, até pouco tempo, elas nem me apeteciam. Claro, as surpresas estão no conhecimento! Nada igual a essas maravilhas, uma verdadeira viagem ao paraíso!

Noix de Saint-Jacques qui >

Noix de Saint-Jacques qui << collent à la dent >>

 

Un Chef Célèbre et… Sympathique

Na infância, oportunidade e benefício de atos de bondade e belas atitudes

Analisando tudo que eu estava vivenciando, quem vejo se aproximando da nossa mesa? Eu estava prestes a conhecer pessoalmente o chef de tudo aquilo e bocó que sou, não conseguia tirar um sorriso estúpido da minha cara. Não fui eu quem foi a Michel Troisgros, foi ele quem veio nos conhecer. O bom humor dessa “estrela”, sem a menor pompa me impressionou. Entre surpresa e feliz, ouço ele explicar sua visão da cozinha, a qual quer manter tradicional: Sifão? Nada melhor que um bom movimento de pulso…

Michel Troisgros

Michel Troisgros e meu “sorriso estúpido” Rsrssssss

 

Une magie

Atitude / Escolha / Realização

Maravilhosamente delicada e saborosa essa carne de veado vem com sabor de manteiga noisette. Gremolata é um acompanhamento tradiconal de ossobuco na cozinha italiana, composto por alho, salsinha e zest de limão. Mais uma vez, a desafetação! Parece magia! Como um prato tão simples consegue tamanho primor?

Noisette de chevreuil alla Gremolata

Noisette de chevreuil alla Gremolata

Para o Luiz, um preparo de ovos que nem posso dizer que ovos foram mexidos… Ovos foram levados à perfeição… com trufas negras.

Ovos mexidos com trufas

Ovos mexidos com trufas

 

Une Tradition

Cozinha é pessoal 

Uma seleção de queijos da região, cujos nomes não posso dizer, não me lembro. Mas posso dizer que na França, eles, os queijos, acabam ficando um pouco monótonos, talvez para nós que não temos a cultura. Todas as refeições, por uma questão cultural e de tradição, eles vêm fazer parte da degustação. Aqui eles não têm nenhum charme nem na apresentação, muito menos, nos acompanhamentos.

Bons fromages, beau voyage

Bons fromages, beau voyage

 

Une Expérience Unique

Como a música sofre se houver muitas notas, na cozinha acontece o mesmo. Elementos se entrelaçam, nunca a mais.

Os prazeres doces! Foram divididos em três partes. Primeiro veio uma pré sobremesa com sorvete de iogurte, gengibre, limão, poucas amoras, e com o prato na mesa, o sabayon Chartreuse veio dançando, me lembrou um “pas-de-deux” de uma linda bailarina. Chartreuse é um licor francês, cuja fabricação é um segredo não divulgado pelos monges de um convento perto de Grenoble. Não senti que fiquei apenas iludida pela apresentação, estava mesmo tudo um pacto de sabores. Uma experiência única!

Sabayon à la Chartreuse, mûres et yaourt

Sabayon à la Chartreuse, mûres et yaourt

 

Une Constatation

Fascinado pela criação, Michel Troisgros é um contador de histórias

Essa turnê pelo interior da França foi imensa, difícil lembrar muita coisa, mas o que verifiquei nesse momento, nunca mais vou esquecer. Consegui enxergar uma mistura de poder, elegância e requinte que trombam no equilíbrio entre a emoção e a culinária. Lembro que ao ver o manuseio e colocar um pedaço dessa “experiência única” na boca, pensei… pensei… e não deu outra. Tive a consciência de que devo descer do meu “pedestal”, pois ali pude também ver claramente que nunca serei uma cozinheira, se eu não vier para uma cozinha como essa, se eu não passar um tempo praticando e não estudar MUITO… Senão, jamais chegarei nesse ponto. Todos os preparos vão muito além do que faço lá em casa, mesmo com Thermomix, Sous Vide, etc. Esses equipamentos não são suficientes para conseguir o que eles conseguem, é preciso mais.

Conseguir manusear e apresentar um zabaione dessa maneira, não é para qualquer cozinheiro

Conseguir manusear e apresentar um zabaione dessa maneira, não é para qualquer cozinheiro

 

Une Préparation Ordinaire

Presença, flexibilidade e capacidade de resposta, mais que riqueza!

Uma vez em um salão de beleza em Paris, a cabelereira disse que meu cabelo era “ordinaire”. Aquilo no momento me chocou – não que eu não achasse o mesmo, mas pela coragem dela em dizer. Depois soube que não carecia ficar tãooo chocada, o termo significa algo bom, apenas comum, sem glamour. E foi exatamente essa palavra que me veio ao ter essa sobremesa “barata” (só modo de dizer mesmo, porque nem tão barata é… Rsrsrssss). Lembrei também do 2000 mil folhas do Pierre Hermé, e em consideração a ele, pensei que ninguém mais no mundo deveria ousar uma 730, 1000 ou 2000 mil folhas, mesmo um Troisgros… Rsrsssss

730 feuillets, miel et epices

730 feuillets, miel et epices

 

Un Moment De Plaisirs

Evocar o lado confortável, a infância

Entre vos doigts” quer dizer “entre os dedos”, que quer dizer “Mignardises” que quer dizer “pequenas delícias”. A proeza gustativa reside ou encontra-se aqui. Quando Louise estudava na Suíça, eu dispensava a sobremesa e a trocava por esses mimos, porque além de tudo ser absurdamente caro,  essa parte se tornava a sobremesa em si, sem nenhum prejuízo ao que se cogita de uma refeição completa.

Entre vos doigts

Entre vos doigts (entre os dedos)

 

Une Occasion Spéciale

Amor ao trabalho

Que prazer ter escolhido este hotel/restaurante para essa nossa ocasião especial: inesquecível! Tudo veio acompanhado por um serviço très bon. Impecável e atento, sempre se preocupando em nos deixar felizes.

Atendimento cortes, leve e amigável

Atendimento cortes, leve e amigável… e engraçadinho! Ele chegou e me perguntou se eu não ia tirar uma foto com ele. Rsrsrsrss Tadinho, deve ter achado que eu era Top!

O restaurante Troisgros é realmente uma instituição como poucas na França, não foi por acaso as três estrelas Michelin por 45 anos consecutivos. Homenagem mais que justa!

Serviço impecável

Serviço impecável

 

Une Émotion Constante

Desenhar um estilo sem negar o antes

Fomos convidados a visitar a cozinha, tipo de proposta que não se pode recusar. Embora eu esteja um pouco acostumada a isso, confesso que fiquei um tanto nervosa. Euzinha aqui adentraria uma das melhores e mais corretas cozinhas do mundo!

E com Michel Troisgros, um dos melhores chefs do mundo

E com Michel Troisgros, um dos melhores chefs do mundo

Eu com o tal sorriso estúpido

Eu com o tal sorriso estúpido

Cozinha fria, equipamentos por indução

Cozinha fria, equipamentos por indução

Saleta ao lado da cozinha, onde os chefs fazem suas reflexões sobre os menus

Saleta ao lado da cozinha, onde os chefs fazem suas reflexões sobre os menus. Nem sei o que eu daria para participar de uma “reflexão” desta, mesmo se fosse como uma joaninha!!!!

Me fez lembrar da minha cozinha... e me deu saudade das minhas arrumações

Me fez lembrar da minha cozinha… e saudade das minhas arrumações

 

Une Garantie

Pardons! Este pedaço da França não é um mito

Em Roanne

 Agora que já conheço Troisgros, posso morrer em paz!

– Após uma refeição “chez” Troisgros, o paraíso vai te parecer muito bobo!

Bem sutil, na entrada da cozinha

Bem sutil, na entrada da cozinha

 

Une Alliance Parfait: Tradition Et Modernité

Estilo criativo, técnica clássica francesa como base e influência japonesa

Quem gerencia a Maison Troisgros é o casal Michel e Marie-Pierre, mas seu filho César, também é chef. O velho Troisgros cumpre em seus herdeiros, o que deve ter prometido a si mesmo quando fundou em 1930 com sua Marie esse lugar mítico. Félicitations Monsieur Jean-Baptiste Troisgros, o senhor deixou uma herança bendita: a missão de perpetuar a saga familiar através da comida. E que comida! No auge de sua reputação, a combinação perfeita entre tradição e modernidade.

César: ”Meu pai tem uma visão, uma linha condutora. Eu quero alimentar desse passado e evoluir meu caminho."

César: ”Meu pai tem uma visão, uma linha condutora. Eu quero alimentar desse passado e evoluir meu caminho.”

 

Une Destination Romantique Exeptionnellement Bonne

Boas escolhas se convergem em bons fins

Confesso que o menu Un jour en novembre mudou minha vida gastronômica, mas em princípio, a parada é ideal e estratégica para quem vai em direção a Provence ou a Côte d’Azur.

Mapa de um destino romântico

Mapa de um destino romântico

 

Une Journée Mémorable

Troisgros está situado num edifício bem em frente à estação de Roanne. É só descer do trem e entrar em um Relais&Chateaux sem muitas frescuras, que tem até cardápio com os preços na porta.

Entrada do paraíso

Entrada do paraíso

 

Un Maison d’excellence

Obter qualidade onde o autêntico acolhimento seja preservado

Ao cruzar a porta da Maison Troisgros, fomos acolhidos cordialmente e ao entrarmos no quarto, passamos pela linda salinha…

Salinha do quarto

Salinha do quarto

Nossa! Falei em cordialidade? Nessa salinha, olha o que nos esperava, que coisa mais chic! Brioche quentinho e chá. Ah nãooo, que delícia! Este foi o ponto alto.

Chá e Brioche quentinho

Chá e Brioche quentinho

Sabe por que esse foi o ponto alto? Os mimos vieram acompanhados das receitas…

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Atravesso um pequeno corredor e chego no quarto: aconchegante, agradável, bonito, elegante, moderno, confortável… E a decoração? Puro bom gosto. Chic!

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Os banheiros são modernos. E os roupões? Confesso que nunca tinha visto roupões em seda, lindos!

Duas cores de roupões, achei o azul maravilhoso e o cinza, mais chic. Combina com o Luiz! Rrsrssss

Duas cores de roupões, achei o azul maravilhoso e o cinza, mais chic. Combina com o Luiz! Rrsrssss

Chega de quarto, vamos para o charmoso jardim, onde é possível ter um drink, ou um aperitivo, ou café da manhã ou apenas um momento de nada ter.

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Ou aproveitar qualquer instante para tirar fotos...

Ou aproveitar qualquer instante para tirar fotos…

Muitos salões acolhedores estão disponíveis aos clientes. O bom gosto impera em todos os ambientes!

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Bar

Bar

No café da manhã aquela coisa maravilhosa (Gougères ou Pain au maïs ou brioche, lembra?) vem para tirar pessoas sérias do sério, principalmente a mim, que aboli essa refeição engordativa! Mas como não comer? Faço mais uma promessa: “só hoje e nunca mais!” Ãh Rã!

Café da manhã

Café da manhã

E a lojinha? Só para enlouquecer de novo as pessoas sérias como eu, que amam coisas de cozinha e casa.

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Logomarca da Maison

Logomarca da Maison

Se nada destas coisas apetecerem… ainda resta uma das coisas melhores do mundo: a leitura. Só que aqui os livros são direcionados aos amantes da gastronomia. Acho que a logomarca da maison que é um T não deveria ser de Troisgros e sim, Tudo de bom! Rsrssss….

Biblioteca gastronômica

Biblioteca gastronômica

 

Un Grand Merci Pour Tout

Sim, um grande e carinhoso muito obrigada por tudo!

Fim dessa experiência! Nem fico triste porque sei que a consequência, ou melhor, a lembrança do meu “eu” mimado vai ficar por muito tempo registrada em um canto qualquer…

Michel e César: pai e filho

Michel e César: pai e filho

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Para os mais curiosos, deixo um resumo da história da MAISON TROISGROS

O sobrenome Troisgos  apresenta prodigiosa atuação no mundo da cozinha, não só na brasileira, haja visto  o ilustre “franco brasileiro” Claude, como na francesa. Seu avô, Jean-Baptiste Troisgros e a esposa Marie abriram seu primeiro restaurante em Chalon -sur- Saône. Tiveram dois filhos, Jean e Pierre e em 1930, a família se mudou para Roanne, pacata cidade, onde compraram um restaurante modesto em frente à estação de trem. Fiquei curiosa e quis saber qual seria o motivo dessa localidade um tanto quanto sem graça. Pois bem… Durantes anos, ricos parisienses, para driblar o frio, percorriam as autoestradas em busca do ensolarado clima do sul. Donos de restaurantes pressentiram o bom negócio que se formava nesse modelo de comportamento. Para prover, alimentar, nutrir, enfim, alegrar os abastados, nada melhor que abrir ao longo das rodovias, bons estabelecimentos. Ambos autodidatas, Jean-Baptiste olhava o salão e a adega, enquanto Marie preparava receitas regionais. Apesar de ela ter sido a cozinheira, ele determinava a cozinha. Foi um sucesso imediato e em cinco anos, o casal já tinha feito nome. Depois da guerra e da ocupação, os dois filhos, criados no restaurante, começaram a sua formação no ramo. Após experiências em vários restaurantes famosos, voltaram a Roanne e assumiram a cozinha do Troisgros. Juntos, ganharam a primeira estrela Michelin em 1955. O pai continuou como maître d’ hôtel e sommelier. Em 1965, tiveram a segunda estrela e em 1968, a terceira. Os elogios não pararam – Christian Millau anunciou que Troisgros era o melhor restaurante do mundo. Em 1983, Jean morreu e no ano seguinte, Michel se juntou a eles na cozinha. Michel e Marie-Pierre, sua esposa, preparavam para abrir o seu próprio restaurante em Sidney, mas a morte de Jean fez com que mudassem seus planos, permanecendo no Maison Troisgros.

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Oiiiê, se quiser receber um email avisando quando publico um novo post, por favor deixe seu email aqui. Obrigada, Dilu

ser com arte

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52 comentários em “TROISGROS em ROANNE 3 estrelas Michelin por 45 ANOS

  1. Dilu é assim : nos presenteia com um pacote de informação, recheado de beleza e charme e embrulhado com carinho e gentileza.
    E finaliza com um grande laço de modéstia.
    Muitos beijos e obrigada, Diluzinha!

  2. Ai Dilu, é tão gostoso ficar sabendo as coisas assim do jeito que vc escreve. Fica tão fácil ler. Continue sempre, beijo, Gab

  3. “Pacto de sabores, foi um abraço entre o céu e o mar, viagem ao paraíso”, Dilu querida, você é desafetada, incrivelmente talentosa e modesta! Que bom que você se desnudou da humildade e fez esse post que me levou ao paraíso do pacto dos sabores! Só mesmo usando a minha imaginação e me deliciando com as suas fotos para conhecer tamanha maravilha! Que bom Fada, mais um post para o meu coração, mais um post para a minha alma! Obrigada! E que Deus te ilumine e presentei com muitos abraços entre o céu e o mar! Amei!!!!!

    • É Juliana, achei legal colocar o mapa para que as pessoas que não conhecem, poderem se situar. Acho que daqui para frente vou sempre colocar a cidade no mapa. Que bom que você gostou, obrigada querida, bjs

  4. Mineira, vim aqui apenas te dizer que vc é muito bacana em compartilhar tanta coisa bacana com a gente. Beijocas da carioca sua fã

  5. Que cardápio elegante. O tomate cereja deu até pra sentir o gosto, da maneira que foi descrito.
    A França e seus deslumbramentos gastronômicos…e você para registra-los. Coisa boa é pouco! Rsrsrs

    • Ah Felix meu querido, que bom que você gostou, e sei que mais que qualquer um de nós, você tem essa capacidade (fina) de sentir o que é apenas descrito. Bjss

  6. Diluzinha, É mto bom viajar nas asas da sua prosa. Ver, pelos seus olhos, histórias de outros mundos, outros tempos…. ver sua vida sendo expandida na nossa por esta magia que é o compartilhar. Hoje estou deixando links para comentar o Dilucious. Sua narrativa me lembrou este vídeo. porque foi um dia de novembro de pura paixão em terras francesas. bjk amiga.
    https://www.youtube.com/watch?v=Me7wlASiKUg ( o link)

    • Preciso deixar a tradução de mais essa gentileza de sua parte amiga que mora no fundo do meu coração, te amo demais!

      Gente… ouçam a musica, linda, e depois leiam a tradução. Que presente mais carinhoso foi este… OBRIGADUUUUUUUUUU

      Apaixonada
      Parece que alguém convocou a esperança
      As ruas são jardins, eu danço nas calçadas
      Parece que meus braços se transformaram em asas
      Que a cada instante que voa eu possa tocar o céu
      Que a cada instante que passa eu possa comer o céu

      Os sinos estão pendurados, as arvores perdem a razão
      Elas caem sob as flores no mais ruivo do outono
      A neve não derrete mais, a chuva canta suavemente
      E mesmo os postes parecem estar impacientes
      E mesmo as pedras se acham importantes

      Porque eu estou apaixonada, sim eu estou apaixonada
      E eu tenho nas mãos a coisa mais importante do mundo
      Eu sou amada, eu sou a tua amada
      E eu canto pra você a única coisa do mundo
      Que faz existir valer à pena, que faz existir valer à pena

      O tempo parou, as horas são voláteis
      Os minutos se agitam e o tédio faz naufragar
      Tudo parece incerto, tudo trinca sob o dente
      E o barulho da tristeza lentamente se afasta
      E o barulho do passado simplesmente se cala

      Oh, os muros mudam de tijolos,
      O céu muda de nuvens,
      A vida muda de maneiras e as miragens dançam
      Me disseram que viram o destino se mostrar
      Sem demonstrar, parecia que ele devastaria tudo
      Ele tinha a tua aparência, a tua maneira de falar

      Porque eu estou apaixonada, sim eu estou apaixonada
      E eu tenho nas mãos a coisa mais importante do mundo
      Eu sou amada, eu sou a tua amada
      E eu canto pra você a única coisa do mundo
      Que faz existir valer à pena, que faz existir valer à pena

  7. Dilu, te confesso que vim aqui mais cedo e quando vi o tamanho do post, desanimei. Dizem que post não deve ser grande. Mas fiquei curiosa e resolvi voltar. Ainda bem que voltei. Adorei! Que jeito de contar coisa banais desse modo interessante, e chego até a dizer, muito envolvente. Comecei a ler e quis pular, mas não consegui. Li tudo, até o texto final da família do chef ban ban ban. Você me cativou, até o próximo. Um abraço, Karen

    • Karen que já é minha querida, mesmo acabando de te conhecer lá no post da Polinha. Que alegria você acaba de me proporcionar, você nem faz ideia! Todo mundo fala isso, inclusive, vou te contar um caso: fiz um curso para aprender a escrever. O que mais me marcou foi que a professora disse que post não pode ser grande. Fiquei pensando naquilo, pensando… e analisei o Dilucious. Cheguei à conclusão que se os comentários são quase do tamanho dos posts que ela acha serem os certos… como eu conseguiria fazer post pequeno com tanto para mostrar. O que eu deixaria de escrever? Quais fotos eu deixaria de colocar? Volte mais minha amiga, bjsss

  8. Eh Dilu, quem gosta de comer ta sempre saindo do sério, pq não consegue segurar a onda e quem gosta de cozinhar, também não: adora comprar utensilios de cozinha. Conclusão: se ficar o bicho come, se correr o bicho, pega… hehehehe…

    • Ah Heloísa querida, que bom! Tomara que continuemos aprendendo umas com as outras. Isso é ser feliz entre amigas. Querida, muitas saudades pq vc sumiu muito! Bjss

  9. Cheguei a engasgar com tantas delícias , Ana Paula como sempre dando o empurrão rss ! Ficou fantástico , de saborear com os olhos . O mapa me fez lembrar uma viagem de Geneve passando por Grenoble e parando em Aix-de-Provence onde almoçamos maravilhosamente bem e deitamos na grama para dar uma pausa nos pensamentos . Na volta uma parada em Mont-Blanc e um delicioso Fondue no Hotel ! k k k só que todo restaurante tinha odor de Fondue. Realmente lugares e banquetes que só você descreve nos engordando kilos que valem a pena . Lindo Post , parabéns amiga !Saudades de você , e das : IT AMIGAS !!!!!

  10. Eliana querida, adorei adorei e adorei: “deitamos na grama para dar uma pausa nos pensamentos” Ah!!!! Lindo isso! Estamos hoje começando uma viagem e se vc me permitir, vou usar essa sua frase espetacular!

  11. Minha querida linda . o meu tudo é tão simples que as vezes tenho receio de dividir ! Fico feliz que tenha gostado , mas daí a usa-lo k k k k . Foi saindo sem pretensão e disse ! Obrigada , faça uma deliciosa viagem . Volte com muitas novidades para nós . Beijos

    • Eliana querida, acho que vou voltar com novidades sim, mas nada melhor que nossa comidinha mineira… rsrssss… Verdade! Nada no mundo é melhor que o arroz com feijão da casa da minha sogra… Afff! Um dia vou te convidar para experimentar, e aí vc vai me dar razão! Bjs e saudade!

  12. Lamento não te conhecer. Vce é um barato de pessoa. Descolada, chique, elegante e simples. Gosto de gente assim. Curto demais suas postagens. Abraço .

    • Rita que comentário mais querido! Desculpe só te responder hoje, mas estou viajando e o tempo está curtíssimo, já que o início da viagem foi todo alterado em função do nosso voo que foi cancelado.

      Você me deixa super feliz com seu comentário, obrigada de coração. Amo o blog e acho uma delícia escrever cada post. Alguns fico achando uma bobagem, outros fico feliz com o resultado, mas de uma maneira geral, me deixam satisfeita.

      Vamos combinar de nos conhecer pessoalmente assim que eu voltar, faço questão!

      Bjs querida e de novo, muito obrigada!

      • Brigada digo eu pelo carinho em me responder. Só confirma o que disse acima. A gente sente que seu blog é escrito com o coração e claro com suas aventuras de viagem, de gastronomia e de “viver”. Compartilhar tudo isso é mto prazeroso.
        Se joga. Vce é otima.

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