Entre o mar e o céu, Vilaró e sua CASAPUEBLO!

O post Entre o mar e o céu, Vilaró e sua CASAPUEBLO! estava acabado desde sexta-feira, mas como eu queria postar a fanpage da minha irmã Dorinha no sábado, e a minha reportagem do Pequi do Estado de Minas, deixei para publicá-lo hoje. Mas por uma triste coincidência, muito triste, Vilaró faleceu hoje. Sem ao menos conhecê-lo, mas me sentindo íntima do artista, já que tenho pensado tanto nele nesses últimos dias, deixo aqui a minha homenagem a esse artista – meu querido/desconhecido. Hoje eu mudaria o nome do post para Entre Deus e os Anjos, Vilaró! E também quero brindar à CASAPUEBLO, essa “casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada”, mas tinha um artista que provocava fortes emoções!

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Vai em paz que os anjos esperam por você Vilaró

Vai em paz que os anjos esperam por você Vilaró

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CASAPUEBLO

Post Cristina Machado e Dilu Bartolomeo Villela

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Me emociono à toa, imagina quando tenho maiores motivos… E este post vem trazer essencialmente a emoção. É engraçado falar assim, pois sentimentos ganham um quê de diferente “eloquência comovente” de uma pessoa para a outra.

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Bem… a mim, a CASAPUEBLO, projeto de Carlos Páez Vilaró, provoca isso e por outro lado, todos se lembram do acidente aéreo na Cordilheira dos Andes, em outubro de 1972, onde apenas dezesseis das quarenta e cinco pessoas à bordo sobreviveram. Vilaró, além de artista, é também conhecido por ser o pai incansável na busca do filho Carlos Miguel, um dos sobreviventes.

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Dentro de um estilo nem um pouco convencional, a CASAPUEBLO passou a ser erguida há cinquenta e cinco anos. Primeiro era um pequeno espaço improvisado com muitas latas, onde Villaró morava, o qual, mais para frente, recebeu forro de madeira. Mais tarde, o artista fixou tela de galinheiro, usou cimento, cal e tinta branca com a finalidade de contrastar com a natureza, a beleza do mar e do céu. E olha só no que deu! Entre o mar e o céu, Vilaró e sua CASAPUEBLO!

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casas

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A 130 km de Montevidéu e a 10 km do Aeroporto Internacional de Punta del Este se encontra essa beleza, um dos monumentos mais representativos do Uruguai que se converteu em símbolo turístico de Punta del Este.

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Encravada em Punta Ballena, sobre as águas azuis do Oceano Atlântico e do Rio de la Plata, se localiza aquela, que é a antiga casa de verão do ilustre uruguaio Carlos Páez Vilaró e atualmente, um complexo escultural que inclui restaurante, museu, galeria e hotel, além de um belíssimo visual panorâmico.

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A CASAPUEBLO foi desenhada e construída pelo artista, “pelas suas próprias mãos”, como gosta de enfatizar ao dizer que é um “fazedor de coisas”.

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O projeto se assemelha ao estilo das casas da costa de Santorini, na Grécia, mas o artista prefere que o compare ao Forneiro, um pássaro típico do Uruguai, conhecido no Brasil como João de Barro.

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Cercada por espetacular ambiente natural, a CASAPUEBLO é destino certo dos turistas. Essa admirável e famosa obra arquitetônica, conta com a infra-estrutura de Punta, cidade que tem praias, porto, museus, cassinos, restaurantes, clubes e hotéis maravilhosos (lembre-se do FASANO Las Piedras).

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Compõe-se de salas ordenadas como um labirinto, onde pode-se locomover com liberdade, pois não há início ou fim. Seu interior é repleto de obras de sua autoria.

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Todas essas atrações podem ser vistas durante todo o ano. Sugiro que se privilegie o entardecer para visitar o local, pois assim, é possível ver o pôr do sol, considerado o mais lindo da América Latina – mais um motivo para fortes emoções. São dispostas cadeiras na sacada para que as pessoas assistam ao maravilhoso e diário ritual da natureza. E para que o espetáculo seja ainda mais belo e dramático, a CASAPUEBLO oferece a Cerimônia do Sol, com uma gravação de Vilaró recitando e agradecendo ao sol, enquanto esse vai se pondo no fundo do mar.

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“Hola Sol! ... Mais uma vez sem se anunciar, você vem nos visitar. Obrigado por provocar uma lágrima, ao pensar que iluminaste também a vida dos nossos avós, de nossos pais e todos os entes queridos que não estão mais conosco, mas que te seguem disfrutando de uma outra altura. Adiós Sol! Adeus! Amanhã te espero novamente. Casapueblo é sua casa, por isso, todos a chamam Casa do Sol... O sol da minha vida de artista...”

“Hola Sol! …
Mais uma vez sem se anunciar, você vem nos visitar.
Obrigado por provocar uma lágrima, ao pensar que iluminaste também a vida dos nossos avós, de nossos pais e todos os entes queridos que não estão mais conosco, mas que te seguem desfrutando de uma outra altura.
Adiós Sol! Adeus!
Amanhã te espero novamente.
Casapueblo é sua casa, por isso, todos a chamam Casa do Sol…
O sol da minha vida de artista…”

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Com esse astral, com esse pôr do sol, é indispensável parar no Restaurante Las Terraças, admirar a vista estonteante do rio/mar/sol, tomar o suco do dia, ou melhor, um vinho branco refrescante… e brindar.

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Quem tiver esse privilégio, terá uma experiência única e excepcional que será levada para sempre na lembrança. Sim, em forma de fortes emoções, a vida nos mostra com quanta gentileza nos tornamos devedores ao que nos é ofertado! Poder sentir o texto de Vilaró, poder estar, um momento que seja, num lugar como esse, faz de qualquer um, um devedor. É… só nos resta mesmo brindar. Tim tim às fortes emoções!

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P.S 1

No livro “Entre meu filho e eu, a lua“, Vilaró relata a história do acidente, sua esperançosa e infatigável procura. Foi até chamado “o louco do aeroporto”. Me emociono com o motivo dessa denominação! Me comovo com a homenagem a esse filho, que inspirou na CASAPUEBLO, uma escultura que simboliza os braços do pai agradecendo a Deus por ter reencontrado o filho vivo. Pura emoção!

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P.S 2:

A música A CASA de Vinicius foi inspirada na CASAPUEBLO.

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P.S 3:

Se quiser ver todo o poema da Cerimônia do sol de Vilaró clique aqui

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Oiiiê, se quiser receber um email avisando quando publico um novo post, por favor deixe seu email aqui. Obrigada, Cristina e Dilu

ser com arte

 

 

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32 comentários em “Entre o mar e o céu, Vilaró e sua CASAPUEBLO!

  1. Ai ! Imagino como vc esteja triste , sentida , ao publicar esse post em homenagem a Vilaró , exatamente no dia de seu falecimento …
    Conheço bem sua sensibilidade !
    Hoje a CASAPUEBLO oferece ao próprio Vilaró a Cerimonia do Sol !
    Da linda poesia ” Hola Sol ” gravada por Vilaró , recitando agradecendo ao Sol , destaco …. ” Obrigada por provocar uma lágrima , ao pensar que iluminaste também a vida de nossos avós , de nossos pais e todos entes queridos que não estão mais conosco , mas que te seguem desfrutando de uma outra altura .
    Adiós Sol ! Adeus ! ”
    Minha simples homenagem ao Vilaró que acabei de conhecer através do seu lindo e emocionado texto !!!
    Adiós Vilaró ! Adeus !
    Bjs , Diluzinha !

    • Ai amiga que triste e linda essa sua frase: “Hoje a CASAPUEBLO oferece ao próprio Vilaró a Cerimonia do Sol!”
      Só nos resta dizer Adios Vilaró… para nosso amigo/desconhecido
      Bjs amore, que bom vc aqui, feliz… feliz….

  2. Sem palavras Dilu…… eu que tive o prazer em conhecê-lo…… Mozinho, por ser Uruguaio e ter alguns amigos em comum, me proporcionou esta alegria. A primeira vez que fui à Casapueblo minha emoção era tamanha, que saí de lá completamente deformada de tanto que chorava. Emoção pela beleza infinita daquele lugar e deste homem, Carlos Páez Vilaró, simplesmente único! Que ele descanse em paz! Agora ele vai pintar no céu!
    Beijos querida!

  3. Dilu, simplesmente arrasou com essa matéria. Bem no dia da morte dele… Puxa, e você já estava fazendo uma declaração de beleza ao artista, alias, fazendo mesmo a homenagem. Adorei! Adorei! e Adorei!

    • Obrigada Lucia, que bom que vc gostou!
      Qdo a Cristina me apresentou o texto inicial, ficamos pensando que deveríamos colocar a emoção que achamos ser da natureza desse homem que tanto buscou por um filho considerado morto, por esse homem que constrói esse complexo escultural de tamanha beleza, esse homem que cria uma cerimônia para se despedir diariamente do sol, enfim, esse homem que vive pela arte… Mas acabou que mais emoção encontramos no dia de publicar o post…

  4. Fada, você é encantada e abençoada, tenho certeza de que ele sentiu o que você escreveu e pelo seu texto passou para se despedir desse mundo! Emocionei! bjos

  5. Diluzinha, li e reli, tornei a ler, vi vagarosamente cada foto… Que encantamento é esse? Fiquei aqui pensando em você, nele que se foi, em você de novo… nele, na Casapueblo, estou num misto de anestesiada e encantada……….

  6. Dilu, que maravilha esse post. Ele é de uma sensibilidade e harmonia que transmite muita paz.

    E o melhor, estou indo para lá e irei seguir seus passos.

    Beijo

  7. Querida Dilu, há mto seu blog deixou de ser apenas um espaço para os amantes da gastronomia e tem o poder de nos fazer refletir, recordar, viajar nas asas do tempo, revendo lugares, emoções, caminhos. Este lugar é mesmo mágico a obra do artista revela o homem. Desta vez me levou ao sol da Grécia, mas à Grécia antiga, embora, como disse, o lugar nos lembre a costa grega.

    Dilú, já conversamos sobre isto, os gregos sonharam todos os sonhos dos homens. E para eles, o sol era um dos deuses mais lindos e fulgurantes. De brilho intenso, perene. A explicação: Hélio, o Deus sol, vinha todas as manhãs, com sua carruagem, puxada por cavalos de fogo, iniciar sua trajetória por sobre o nosso mundo. E, neste caminhar, ia recolhendo todas as dores dos homens: as mazelas, os desencontros, as desavenças, a saudade, a incerteza, enfim…. Mas ao fim do dia, acreditavam os gregos, o Deus sol mergulhava nas águas do mar e se lavava de tudo isto. Assim, por ser um deus que realizava uma mandala inteira a cada dia, uma catarse completa, era o deus capaz de ressurgir a cada manhã, com brilho intenso, renovado, lavado por um mar de água salgada. Não deve ser à toa que lágrimas tem gosto de água do mar. Chorar faz bem, lava nossas dores, nossa alma. E assim vamos seguindo. Adoro esta história, porque esta a grande lição do sol para minha vida..Sim, o “céu de Ícaro tem bem mais poesia que o de Galileu”…. vc e seu Dilucious também. bjk amiga, sempre meio sumida, que a vida é uma ordem e marcha em correria, mas com vc no coração.

    • Vera minha amada, quando eu crescer quero escrever igual – não, igual é impossível – mas quero chegar perto da sua competência com o lápis…. Sei que esse desejo vai ficar no sonho, mas não me importo, tenho você para me enriquecer.

      Adorei esse comentário, primeiro que nem sabia essas coisas. Obrigada amiga

  8. Oi Dilu!
    Quantas coisas de uma só vez!
    Sinceramente…. fiquei comovida….quantas belezas… e ….que coincidência!
    Mas tudo nesta vida tem um porque, não é mesmo? Agora nos resta buscar esta resposta….
    Obrigada por ser tão generosa compartilhando suas belas vivências e experiências tão sensíveis e instrutivas.
    Bjs, Tetê

    • Tetê, é verdade, esse post veio com várias maravilhas, em primeiro lugar a busca incessante pelo filho, passou pela arte, a Casapueblo, o pôr do sol e sua belíssima cerimônia, e para finalizar, a morte. Até arrepiei aqui.
      Amiga, você sabe… passamos pela vida recebendo sinais o tempo todo e na maioria das vezes não conseguimos nem perceber, quanto mais entender…
      Obrigada a você minha querida, bjs

  9. Mineira, que beleza de post. Mas devo confessar que também gostei (muiito) do comentário da Vera, muito inteligência por traz de muita cultura. Parabéns!

    • Katarina, acho que foi a coisa mais linda que li e fiquei sabendo nos últimos tempos, eu também adorei! Estou na Bahia (de todos os santos) e vou agora levar para o café da manhã este ensinamento, levá-lo de presente para os meus amigos. Bom estar te respondendo agora… Bom dia e obrigada

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